Última Parada 174 e o materialismo dialético

O filme “Última Parada 174” de 2008 e com direção de Bruno Barreto, conta a história de dois meninos que vivem situações distintas, mas acabam no mesmo “barco”. Alessandro é filho de uma mulher viciada em cocaína que está devendo o dinheiro para o comando do tráfico na favela, em troca pela dívida, o comandante do tráfico arranca o filho dos braços da mãe e a manda embora da favela. Ele passa então a criá-lo como seu filho e a ensiná-lo todos os tipos de maldades e malandragens. Já Sandro começa a sua história de forma diferente, a sua mãe foi brutalmente assassinada no barzinho que possuía. O menino passa então a morar com a tia, seu marido e um filho pequeno. Sandro apresenta sinais de um trauma psicológico profundo, e quando vai à escola (pela primeira vez sozinho) conhece a realidade dos meninos de rua da Cadelária. Ali Sandro conhece as drogas, vê nela uma válvula de escape para toda a sua situação e permanece nas ruas até ter mais idade. Um deles é o sequestrador do ônibus 174, no dia 12 de junho de 2000, no Rio de Janeiro.

No decorrer do filme cada vez fica mais claro que violência gera mais violência. A realidade é dura e corrói, ainda mais no caso de pessoas que vivem nas condições como as mostradas no filme. São pequenos momentos na vida, por uma ação externa, que fazem desembocar em episódios marcantes da história do país, como foi o do sequestro do ônibus 174. Nada justifica roubar e enganar, mas o que fazer se vivemos em um país que nos mostra o contrário? A nossa realidade política nos mostra que esses crimes são sim um meio de conseguir sucesso. Mas então, o exemplo não deveria vir de casa? Sandro mostra em uma cena que não sabia ler e escrever, além disso, por um bloqueio psicológico, Sandro não queria aprender. E a frase “sem educação, não há futuro”, estava errada, há futuro sim, futuros como o sequestro de um ônibus e a morte de duas pessoas pela polícia.

Relacionando tudo isso com o materialismo dialético vemos que, atualmente, a contradição da realidade com o pensamento dialético é muito real. É muito bem retratado no filme essa ignorância geral de que as pessoas não são moldadas, podadas por eventos externos (que fogem da alçada da pessoa), para caber no pensamento da sociedade. Ou seja, a sociedade molda e é moldada ao mesmo tempo por todos esses eventos individuais, mas que acabam interferindo na vida de outros. Na cena final do filme, é mostrado o momento em que o sequestrador do ônibus sai com uma refém na sua frente, um policial despreparado acaba errando a mira e acerta na refém. Porém o povo que estava “assistindo” o desenrolar da situação, faz um pré-julgamento, gritam para o sequestrador “Assassino!”, “Tem que morrer!”. E é o que a polícia o faz, mata o criminoso asfixiado dentro do camburão. Pré-julgamento e um acerto de contas com as próprias mãos. Mas afinal quem era o bandido mesmo?

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